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sábado, 11 de junho de 2011

Cap IV - Como o Dinheiro se Transf em Capital / Item 3 (p. 186 a 197)

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A venda de força de trabalho dá-se no mercado sob condições: 1) o vendedor da força de trabalho deve ser proprietário de sua capacidade de trabalho, e 2) não deve possuir meios de produção e nem meios de subsistência. O comprador de força de trabalho - possuidor de dinheiro e meios de produção - encontra o indivíduo possuidor de capacidade de trabalho no mercado, comprando-a em condições juridicamente iguais, limitando-se a remunerá-lo de acordo com os custos que garantem os meios de subsistência do trabalhador, a fim de que o mesmo esteja apto a realizar o mesmo trabalho no dia seguinte ao dia trabalhado. Esse trabalho gera mais-valia e, portanto, capital. Apesar da igualdade de condições entre comprador e possuidor de força de trabalho percebida na esfera da circulação - no mercado - a verdade é que o possuidor de dinheiro, que se transforma em capitalista, é quem tem reais vantagens nessa relação contratual.   
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3. COMPRA E VENDA DA FORÇA DE TRABALHO

Para ocorrer a transformação do valor de dinheiro para capital, a modificação tem de ocorrer na mercadoria comprada no primeiro ato D — M, mas não com o seu valor, já que são os bens trocados devem ser equivalente. Logo, a transformação tem origem no valor-de-uso.

Para extrair valor do consumo de uma mercadoria, o possuidor de dinheiro teria de descobrir dentro da esfera da circulação - no mercado - uma mercadoria cujo próprio valor-de-uso tivesse a característica peculiar de ser fonte de valor, gerador de valor. Essa mercadoria é a capacidade de trabalho ou a força de trabalho.

Força de trabalho corresponde ao conjunto das faculdades físicas e espirituais que existem no corpo e na personalidade viva de um homem, que ele aciona toda vez que produz valores de uso de qualquer espécie.

O possuidor de dinheiro precisa encontrar força de trabalho como mercadoria à disposição no mercado sob duas condições:

1) A capacidade de trabalho deve ser oferecida como mercadoria por seu próprio possuidor, pela pessoa da qual ela é a força de trabalho. Além disso, é necessário que ele possa dispor dela, ser livre proprietário de sua capacidade de trabalho. Ele e o possuidor de dinheiro se encontram no mercado e entram em relação um com o outro como possuidores de mercadorias dotados de iguais condições, juridicamente iguais.

2) O possuidor de força de trabalho deve ter apenas a própria capacidade de trabalho para oferecer à venda como mercadoria, ser desprovido de meios de produção (matérias-primas, instrumentos de trabalho etc.). Por necessitar, naturalmente, de meios de subsistência e não ter meios para adquirir, o trabalhador vê-se obrigado a vender o que têm - capacidade de trabalho.

Assim, o trabalhador livre no mercado de mercadorias é livre em duplo sentido: 1) ele dispõe, como pessoa livre, de sua força de trabalho como sua mercadoria; e 2) não tem outras mercadorias para vender, está livre de coisas necessárias à materialização de sua capacidade de trabalho.

Lembremos que a natureza não construiu possuidores de dinheiro e de mercadorias de um lado e, do outro, meros possuidores das próprias forças de trabalho. Essa relação não faz parte da história natural, nem é comum a todos os períodos históricos. Ela é o produto de muitas revoluções econômicas anteriores, da decadência de uma série de formações mais antigas da produção social.

A representação do produto como mercadoria sugere uma divisão de trabalho tão desenvolvida dentro da sociedade que a separação entre valor de uso e valor de troca já se tenha completado.

As formas específicas de dinheiro e sua preponderância relativa às suas funções indicam estágios diferentes do processo de produção social. No entanto, basta uma circulação de mercadorias relativamente pouco desenvolvida para a constituição de todas essas formas.

As condições históricas do capital, por sua vez, não se dão só pela circulação de mercadorias e pelo dinheiro. O capital aparece onde o possuidor de meios de produção e de subsistência encontra o trabalhador livre como vendedor de sua força de trabalho no mercado. O capital encerra uma história mundial e anuncia uma nova época do processo de produção social.

O valor da força de trabalho é determinado pelo tempo de trabalho necessário à produção e à reprodução. A força de trabalho só existe como disposição do indivíduo vivo. Existindo, o indivíduo precisa manter e reproduzir a produção da força de trabalho. Para sua manutenção, o indivíduo vivo precisa de meios de subsistência. Assim, o tempo de trabalho necessário à produção da força de trabalho corresponde ao tempo de trabalho necessário à produção desses meios de subsistência.

Capacidade de trabalho só se realiza para a produção quando produz. Ou seja, a força de trabalho só é ativada no trabalho. São gastas determinadas quantidades de músculo, nervo, cérebro humanos, o que precisa ser reposto.Depois de ter trabalhado hoje, é fundamental que o trabalhador tenha as condições originais de repetir o mesmo processo amanhã. A soma dos meios de subsistência deve, portanto, ser suficiente para mantê-lo no nível de vida normal de um trabalhador, que pode ser diferente conforme a localidade.

Conforme o caráter mais ou menos mediato da força de trabalho, os seus custos de formação, relativos à aprendizagem, são diferentes. Isso é contabilizado no total dos valores gastos para sua produção. Existe ainda outra parte de meios de subsistência – alimentação, aquecimento etc. – que é diariamente consumida e precisa ser diariamente reposta. Uma outra parte ainda  é gasta em períodos mais extensos de tempo, necessitando de reposição em períodos também mais extensos – como roupas, móveis.

Para contabilizar a soma da massa das mercadorias exigidas diariamente para a produção da força de trabalho, temos:






A = quantidade das mercadorias exigida por dia;
B = quantidade das mercadorias exigida por semana;
C = quantidade das mercadorias exigida por trimestre; etc.

A quantidade de trabalho exigido para sua produção diária origina o valor da força de trabalho reproduzida em um dia.  

O valor-de-uso da força de trabalho consiste na exteriorização posterior dessa força.  No modo de produção capitalista, a força de trabalho só é paga depois de ter funcionado durante o período previsto no contrato de compra. Assim, o trabalhador adianta ao capitalista o valor-de-uso da força de trabalho, configurando um crédito ao capitalista.

O processo de consumo da força de trabalho é também o processo de produção de mercadoria e de mais-valia. Na esfera da troca de mercadorias, comprador e vendedor de força de trabalho são determinados apenas por sua livre-vontade. Buscando suprir suas vantagens e interesses particulares, relacionam-se como pessoas livres, onde suas vontades resultam numa expressão jurídica em comum, sendo juridicamente iguais.

Ao deixar a esfera da circulação simples, as coisas tomam fisionomia. O antigo possuidor de dinheiro marcha adiante como capitalista; segue-o o possuidor de força de trabalho como seu trabalhador; o primeiro, cheio de importância; o outro, alguém que não tem mais nada a esperar. Ou seja: nessa relação, é o possuidor do dinheiro quem ganha.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cap I - A Mercadoria / Item 2 (p. 50 a 54)

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Marx finaliza a abordagem do Duplo Caráter do Trabalho Materializado na Mercadoria mostrando  que toda forma de trabalho, por mais complexa que seja, reduz -se ao trabalho humano simples, medido pelo tempo. Para determinados estágios de civilização, existirá um Trabalho Simples Médio. Fechando o trecho em questão, Marx ratifica o duplo caráter do trabalho relacionando o dispêndio de trabalho humano, no sentido concreto, com a geração de valores-de-uso; e, no sentido fisiológico, com a criação de valor. 
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2. O DUPLO CARÁTER DO TRABALHO MATERIALIZADO NA MERCADORIA

Como valores, bens diferentes são coisas de igual substância, expressões objetivas de trabalho de natureza idêntica, apesar de produtos diferentes requererem trabalhos qualitativamente diferentes.

Pondo-se de lado o caráter peculiar das atividades produtivas, resta à mercadoria o dispêndio de força humana. Assim, o ofício de um tecelão e de um alfaiate, por exemplo, são apenas duas formas de se despender força de trabalho humana. Para que essas formas sejam ampliadas e diversificadas, é necessário que a própria força humana se desenvolva.

Conforme determinado estágio de civilização, acha-se um TRABALHO SIMPLES MÉDIO, o dispêndio de força de trabalho que, em média, todo homem comum possui em seu organismo. O trabalho humano se mantém fundamentalmente, porém, como dispêndio de trabalho simples, e constantemente se reduz quantitativamente a isso, por mais complexo que seja. Nesse sentido, um trabalho mais complexo vale como trabalho simples multiplicado, ou seja, dada quantidade de trabalho complexo corresponde a uma maior quantidade de trabalho simples. Essa definição é determinada por um processo social.

As mercadoria apresentam determinada grandeza, que mensura suas diferenças materiais de forma quantitativa. A diferença de valores nas mercadorias se dá quando está contida numa mercadoria uma quantidade maior ou menor de trabalho contido em uma outra mercadoria. Ou seja, para produzir um bem A, foi despendida força de trabalho por mais ou menos tempo que na produção de um bem B.     

Logo, o trabalho contido na mercadoria, para a grandeza do valor, só interessa quantitativamente e depois de ser convertido em trabalho humano, puro e simples.    

Assim, a magnitude do valor de uma mercadoria eleva-se conforme sua quantidade, descoberta através da duração de tempo do trabalho (1 casaco = X dias de trabalho;  2 casacos = 2X dias de trabalho).

É possível que um acréscimo da massa de riqueza material corresponda, simultaneamente, a uma queda no seu valor. Essa situação acontece devido à produtividade do trabalho. Apesar desta pertencer à forma útil de trabalho e definir a eficácia da atividade produtiva, evidencia-se a duração de tempo de trabalho necessária para produzir determinadas quantidades de valores-de-uso. Quanto maior a produtividade, maior será a quantidade de produtos em menor tempo; portanto, será o valor que cada mercadoria absorveu, já que a mesma duração de tempo de força humana empregada neste momento gerou mais produtos que num cenário anterior. E vice-versa.

O trabalho é dispêndio de força humana de trabalho. No sentido fisiológico, cria o valor das mercadorias. Em um sentido particular, realizado com uma finalidade específica, útil, tal dispêndio produz valores-de-uso.