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sábado, 4 de junho de 2011

Cap IV - Como o Dinheiro se Transf em Capital / Item 1 (p. 165 a 175)

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A circulação de mercadorias é o ponto de partida do capital. Na forma simples M - D - M (Mercadoria-Dinheiro-Mercadoria), 'dinheiro é dinheiro',  buscam-se valores-de-uso, a mercadoria qualitativamente diferente é a finalidade. Na forma de circulação D - M - D, 'dinheiro é capital', busca-se a mesma mercadoria do início da circulação, o dinheiro. Esta última dinâmica só faz sentido porque a quantidade almejada é diferente da aplicada, sendo maior devido a um acréscimo que é obtido através do processo de circulação, a mais-valia. Logo, a forma completa dessa circulação do capital é D – M – D’, onde D' é dinheiro acrescido de mais-valia, a fórmula geral do capital.
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1. A FÓRMULA GERAL DO CAPITAL

Sabe-se que a circulação de mercadorias é o ponto de partida do capital. Considerando apenas as formas econômicas geradas por esse processo, encontraremos como produto final o dinheiro, que é a primeira forma de aparição do capital.

Todo capital novo, para começar, entra em cena, no mercado de mercadorias em forma de dinheiro.  

'Dinheiro como dinheiro' e 'dinheiro como capital' distinguem-se primeiro por sua forma diferente de circulação. 

A forma simples de circulação de mercadorias é M - D - M, que representa a seguinte dinâmica: conversão de mercadoria em dinheiro e reconversão de dinheiro em mercadoria, vender para comprar.

Ao lado dessa forma, há uma segunda, especificamente diferenciada: D - M - D, que representa a seguinte dinâmica: conversão de dinheiro em mercadoria e reconversão de mercadoria em dinheiro, comprar para vender.

As formas M – D – M e D – M – D decompõem-se em duas mesmas fases opostas: M — D (venda) e D — M (compra). O que distingue os ciclos é a sucessão inversa das mesmas fases opostas de circulação. Como se vê, a circulação simples de mercadorias começa com a venda e termina com a compra, a circulação do dinheiro como capital começa com a compra e termina com a venda.

Na circulação M — D — M, o dinheiro é transformado em mercadoria que seria de valor de uso e está, pois, definitivamente gasto. Na forma inversa, D — M — D, o comprador gasta dinheiro para, como vendedor, receber dinheiro. Ele solta o dinheiro só com a segunda intenção de apoderar-se dele novamente. 

O dinheiro é, portanto, apenas adiantado. A dupla mudança de lugar da mesma mercadoria acarreta a volta do dinheiro a seu ponto de partida. Essa circunstância influi apenas na grandeza da soma de dinheiro que volta. Com isso, transparece-se a diferença entre a circulação do dinheiro como capital e sua circulação como dinheiro apenas.

O ciclo M — D — M é percorrido por completo assim que o dinheiro obtido com a venda de uma mercadoria for absorvido pela compra de outra mercadoria. O dinheiro só retorna ao seu ponto de partida por meio da renovação ou repetição de todo desse processo. A volta do dinheiro é determinada pelo modo de seu gasto, que busca o próprio valor de troca.

Enquanto que na dinâmica M – D – M as mercadorias são valores-de-uso qualitativamente diversos, no processo D – M – D, ambos os extremos são dinheiro, o que parece tautológico, vazio de conteúdo. A questão é que a diferença aqui não é qualitativa, mas quantitativa. Leva-se em conta a variação da quantidade de dinheiro. Busca-se mais dinheiro com sua aplicação.

No final, mais dinheiro é retirado da circulação do que foi lançado nela inicialmente.  Logo, a FORMA COMPLETA desse processo é D — M —D’, onde D’ = D + ∆D, ou seja, igual à soma de dinheiro originalmente adiantada mais um acréscimo ou excedente sobre o valor original. Esse incremento é a chamada MAIS-VALIA (valor excedente). O valor original se mantém na circulação e altera nela a sua grandeza de valor, acrescenta uma mais-valia, se valoriza, movimento que o transforma em capital, um processo sem fim.

Se uma quantidade de dinheiro obtido através da circulação fosse gasto como dinheiro, deixariam de desempenhar o seu papel de ser capital. Se for retirada de circulação, se fixaria como tesouro e nada mais seria acrescentado.

A diferença na quantidade de dinheiro obtida no final da circulação logo se esvai. No término do processo, o que surge não são o valor original nem a mais-valia, mas um valor que se encontra na mesma forma adequada para começar o processo de expansão do valor.

Portanto, o dinheiro encerra o movimento para dar início a um novo ciclo. A circulação do dinheiro como capital precisa sempre ser renovada para incrementar a grandeza do valor. Por isso o movimento do capital é insaciável.

Como representante consciente desse movimento, o possuidor do dinheiro torna-se capitalista. O conteúdo objetivo da circulação — a expansão do valor — é sua meta subjetiva. O valor de uso nunca deve ser tratado como meta imediata do capitalismo. A apropriação crescente da riqueza abstrata – obter lucros sempre – é a finalidade do capitalista.

O capitalista é o entesourador racional, pois ele multiplica incessantemente o valor.

O valor assume duas formas; a forma autônoma - forma dinheiro - é uma delas. Ele tem de assumir a forma de mercadoria para ser capital, pois todas as mercadorias são dinheiro, meios de fazer mais dinheiro com dinheiro.

Em vez de representar relações mercantis, o dinheiro entra numa relação consigo mesmo. Enquanto valor original, ele se distingue de si mesmo como mais-valia. O valor torna-se, portanto, valor em processo, dinheiro em processo e, como tal, capital: D — D’, dinheiro que gera dinheiro. No capital a juros, a circulação D— M — D’ apresenta-se abreviada, sem a mediação: dinheiro que é igual a mais dinheiro, D - D’objetivamente.

Com base no apresentado, chega-se à conclusão de que D – M – D’ é a fórmula geral do capital, como ele aparece na circulação.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cap I - A Mercadoria / Item 3 - D (p. 78 e 79)

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Neste item, Marx percebe a mercadoria que assume, na atualidade, a Forma Geral do Valor. Quando uma única mercadoria conquista o monopólio da posição de expressão do valor do mundo das mercadorias, por meio do hábito social, significa, então, que a forma de valor geral (forma C) progrediu para a Forma Dinheiro.
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3. A FORMA DO VALOR OU O VALOR-DE-TROCA

D) Forma Dinheiro do Valor

A forma C (geral) não difere em nada da forma D (forma dinheiro), a não ser que agora, em vez do linho (exemplo utilizado ao longo do estudo para ilustrar que qualquer coisa poderia assumir o papel de euivalente geral), possui o ouro (R$, US$ etc.) como a forma de equivalente geral.

O desenvolvimento da forma C para a D deu-se através do fato de que a forma de permutabilidade direta universal se fundiu definitivamente, por meio do hábito social, com a forma natural da mercadoria ouro (R$, US$ etc.). Tal mercadoria conquistou o monopólio dessa posição de expressão do valor do mundo das mercadorias.
                                                            
A expressão relativa simples de valor de uma mercadoria (arroz) em outra que já funciona como mercadoria dinheiro (R$) é a FORMA PREÇO. A “forma preço” do arroz é, portanto: 1 quilo de arroz = R$2,00.


Cap I - A Mercadoria / Item 3 - C - 2 e 3 (p. 76 e 78)

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Ao explicar o desenvolvimento da forma relativa do valor e da forma equivalente, Marx associa a forma equivalente à expressão e ao resultado das formas simples, extensiva e geral do valor relativo. Percebendo que, quando o equivalente geral, na forma geral do valor, se limita definitivamente a uma mercadoria única, exclusiva, que conquista uma consistência objetiva e reconhecimento social universal, chega-se à mercadoria dinheiro.
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3. A FORMA DO VALOR OU O VALOR-DE-TROCA

C) A Forma Geral do Valor


1.  
2. O desenvolvimento mútuo da forma relativa do valor e da forma equivalente
3. 

O desenvolvimento da forma equivalente dá-se conforme o grau de progresso da forma relativa do valor.
 
i) A forma relativa simples torna uma mercadoria uma equivalente singular ou individual.
ii) A forma extensiva do valor exprime em todas as outras mercadorias a forma de equivalentes particulares de diferentes espécies.
iii) Finalmente, uma espécie particular de mercadoria recebe a forma geral de equivalente, devido ao fato de que todas as outras mercadorias fazem dela o material da forma unitária e geral do valor.

A oposição entre os pólos da expressão de valor desenvolve-se também conforme progride a forma valor.
i) Na forma simples, há oposição, mas é possível percebê-la da direita para esquerda e da esquerda para a direita. Portanto, ela é não fixa - as mercadorias ora se põem como relativas, ora se colocam como equivalentes.
ii) Na forma extensiva, uma mercadoria de cada vez pode desdobrar ou estender totalmente sua forma de valor, não sendo mais possível invertê-la sem mudar seu caráter.
iii) A forma geral dá ao mundo das mercadorias a forma relativa geral e social do valor, onde todas as mercadorias são excluídas, com uma exceção (única), da forma equivalente geral, assumindo a forma de permutabilidade direta com todas as mercadorias. Aí, mercadoria escolhida para ser equivalente geral passa a se converter em si mesma (linho = linho), já que ela está excluída da forma relativa do valor.


1.
2.
3. Transição da forma geral do valor para a forma dinheiro

A forma equivalente geral pode ser recebida por qualquer mercadoria, pois tal forma é valor em si. Encontra-se nessa posição na medida em que é excluída por todas as demais mercadorias e vista por elas como equivalente. Quando essa exclusão se limita definitivamente a uma determinada mercadoria, a forma unitária do valor do mundo das mercadorias ADQUIRE CONSISTÊNCIA OBJETIVA E VALIDADE SOCIAL GERAL.

Fundida socialmente, a forma equivalente, identificada numa forma material, torna-se mercadoria “dinheiro”, funciona como dinheiro. Uma mercadoria conquista, historicamente, essa posição privilegiada entre os  bens que são se veem como equivalentes singulares (na forma B - extensiva), e que expressam numa mercadoria qualquer - no linho, por exemplo - seu valor relativo (na forma C - geral).

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cap I - A Mercadoria / Item 3 - A - 4 (p. 68 a 70)

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Marx conclui sua abordagem sobre a forma simples do valor ressaltando a conclusão tirada dela: a expressão do valor (papel que, atualmente, desempenha o dinheiro) se dá pelo valor das mercadorias; nunca o valor ou sua grandeza se originam da expressão de valor. Por fim, introduz características de uma forma mais complexa de valor, levando em conta a corporificação da forma relativa do valor em todos os produtos do mundo das mercadorias.
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 3. A FORMA DO VALOR OU O VALOR-DE-TROCA

 A) Forma Simples, Singular ou Fortuita do Valor
1.
2.
3.
4. A Forma Simples do Valor, Em Seu Conjunto

A forma simples do valor se contém em sua relação de valor com outra mercadoria diferente.

A mercadoria é valor-de-uso e valor. Ela se assume apenas fora dela mesma, ao manifestar-se como valor-de-troca. A mercadoria nunca possui essa forma (valor-de-troca) isoladamente, apenas na relação de valor.

Demonstrou-se: a expressão do valor decorre da natureza do valor das mercadorias. Valor e sua magnitude não se originam da expressão do valor (da forma equivalente ou, atualmente, do dinheiro).

A forma simples do valor é a forma elementar de manifestar a oposição nela existente (valor-de-uso X valor).

Apenas em determinado momento da história que a sociedade passou a transformar valores-de-uso em mercadorias. Assim, a forma simples de valor da mercadoria é também a forma-mercadoria elementar do produto do trabalho (valor-de-uso).

A forma simples converte-se em uma forma mais completa. Uma mercadoria A expressa seu valor numa mercadoria diferente, qualquer que seja ela (arroz, casaco etc.). Na medida em que uma mercadoria A vai estabelecendo relações de valor com outras mercadorias, vai também adquirindo novas expressões de valor.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cap I - A Mercadoria / Item 3 (p. 54 e 55)

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Nas considerações iniciais do item 3, Marx relembra a duplicidade do caráter da mercadoria (é objeto material, útil, e é veículo de valor), ressaltando que o valor é apenas uma realidade social, manifestado através de relações de troca. Observando que as mercadorias têm uma forma comum de valor - a forma dinheiro - Marx considera acompanhar o desenvolvimento das formas de expressão de valor, desde a mais simples, para chegar à origem do dinheiro.     
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3. A FORMA DO VALOR OU O VALOR-DE-TROCA
 
Mercadorias surgem sob forma de valores-de-uso, corpóreas, como objetos materiais – sua forma natural. Só são mercadorias, todavia, por serem, além de “coisas”, veículos de valor.

Os valores das mercadorias, mensurados por uma mesma substância social - o trabalho humano - são apenas uma realidade social. Portanto, é somente através da relação de troca, do confronto entre bens diferentes, que o valor, então “escondido” em cada mercadoria, é revelado, manifestado, mostra-se como valor-de-troca.

Sobre essa manifestação de valor, sabe-se que todas as mercadorias têm uma forma comum de valor: a FORMA DINHEIRO DE VALOR. Para se chegar à gênese dessa forma de valor, faz-se necessários averiguar como se desenvolveu a expressão de valor contida nas relações de valor existentes entre diferentes mercadorias, da forma mais simples até a última forma conhecida, o dinheiro.